Me empresta o negativo?

Li a coluna da Ruth sobre a crise dos 35 e posso dizer que procuro lidar com essa crise aos 29, na porta dos 30… Ainda mais com essa epidemia de fotos da infância no FB, a nostalgia e a dissonâncias vindas do confronto dos ideias com a realidade, batem na porta.
A crise já ameaça começar quando vemos os adolescentes postando suas fotos de infância, já tiradas em máquinas digitais, enquanto eu tive que tirar uma foto da foto ou a scaneá-la, uma vez que foi revelada de um filme da kodak no final dos anos 80.
To velhaEu vivia escrevendo aqui sobre as mini crises de auto cobrança do ideal que nos pedem e do que de fato conseguimos, e sinceramente tenho parado de escrever sobre isso apenas pelo fato de tentar me comparar menos com os meus bem sucedidos colegas – aka os que já compraram apartamento e/ou tem filhos e/ou ganham bastante dinheiro e/ou viajam por ai, etc etc etc – simplesmente porque eu cansei de me torturar.
Chega uma hora que alcançamos nosso limite de autoflagelo. Eu alcancei o meu.
Se as comparações surgem das bocas de colegas, parentes ou mesmo amigos, eu apenas discrimino as contingências, ou melhor, eu apenas procuro entender que as situações que levaram aquele sujeito àquela situações foram bem diferentes da minha e que mesmo que fossem iguais, por eu ter uma personalidade única, eu faço o desfecho que eu der conta.
Confesso que parei de me sentir mal por não ter um blog bombado ou não ter escrito um livro (talvez por não ter assunto ou habilidade), por não ter as artimanhas para cozinhar – desculpe pelo arroz e panela torrados, marido – ou por dirigir bizarramente quando me sinto avaliada com alguém ao lado. Me esforço ao máximo, Brasil, se não deu paciência. Nova filosofia de vida.
A única crise contudo que eu ainda não consigo elaborar é a do passar do tempo e com isso as perdas de pessoas amadas… mas essa crise apenas com muita terapia ou um pouco de endurecimento da alma… Mas quem sabe um dia.

Viajo ou tenho um filho?

Preciso de chá e cama.

E as crises continuam, afinal a cada dia que me aproximo da casa dos trinta, apesar de faltar um ano e um mês para tal, as cobranças sociaiszzzzzzzzzzzzz aumentam…
Eu juro que tento me blindar das inimigas dos comentários e da auto cobrança, mas oi? Ansiedade nasceu comigo e pelo visto não me largará jamais.
A couraça que temos que nos revestir para não nos cobrar do desejo do outro é imensa que chega a pesar na alma.
Como indaguei no último post fico tentando separar o que é da minha vontade e do que é da vontade do outro, além, do que é da minha vontade sem eu me sentir culpada por não ser a mesma vontade do outro. Complexo? Simplifico.

Maria quer que eu coma beterraba. Eu quero brigadeiro. Eu como brigadeiro, mas fico culpada por não ter querido comer ou comido a beterraba que a Maria queria que eu comesse. Melhorou?

Já posso me internar?

Enfim, se alguém vender uma boa couraça ou tiver algum filtro mágico de cobranças, favor me emprestar.

Sono sem fim.

Porque se não bastasse eu ter um emprego puxado, ter que cuidar da casa, do marido e de um cavalo, eu resolvi voltar à vida acadêmica e começar meu mestrado na área de Saúde Mental. Só que para fazer um mestrado desses, já deu para perceber, que eu vou testar e muito a minha saúde mental…
Eu já tinha me desacostumado em ficar acordada até tarde estudando, fazendo tabelas e (re)escrevendo partes do projeto ad infinitum… confesso que, assim como virar a noite em balada, eu também estou muito velha para virar a noite estudando.
Para vocês terem uma ideia, já me peguei, quando ia mandar um whatsapp, cochilando com o celular na mão no meio do processo.

Ou seja, essa será minha vida, esse será o meu clube, nos próximos dois anos. #Oremos

E pensar que eu poderia estar lendo a sua mão… tsc tsc.