frustrações de ano novo

 

Graças a lista linda da Nessa me inspirei e roubei descaradamente o título, a proposta, os Di Caprios e até a resolução:

Porque minha resolução deste ano é: elaborar as frustrações acumuladas nestes 30 fuckin’ anos de reencarnação.

Inclusive, se pá, to tão ladra que tem até umas frustrações bem parecidas. Coisa de irmã né? Já que a gente não mora junto e nem é da mesma família pra poder compartilhar camiseta a gente compartilha frustração, porque não Brasil?

Então prepara um café, puxa um banquinho e vamos que vamos:

1. escrever de verdade. Porque eu tenho essa necessidade de falar, e consequentemente de escrever; até porque sempre foi relativamente mais fácil em muitos momentos colocar o que estava acontecendo no “papel” que efetivamente ir lá e falar. Simplesmente porque sobram pensamentos, faltam palavras, digitamos/escrevemos relativamente bem, obrigada. Blogs já tive às pampas, todos devidamente desativados em algum momento. cadernos, diários, cartas não enviadas. Fazemos coleção de pensamentos e um dia ainda boto certa fé de que compilarei isso e a história da minha vida em um conto fictício que vai virar filme. mas como isso é um plano de sei lá, uns 18 anos acho que se arrastará mais um pouco. Mas ó, prometo deixar os logins e senhas disponíveis para uma homenagem póstuma.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:

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2. ballet profissional. Porque o que eu faço hoje não conta. Conta como realização pessoal, como fonte de prazer e etc, mas tenho uma frustração eterna por ter parado no “auge” e demorado para voltar. Eu era bem boa, parei quando não devia e perdi o bonde. Me arrependo muito, muito, muito mesmo até porque hoje em dia nada colabora mais: idade, físico, tempo, responsabilidades, enfim. Sou grata por ainda ter joelhos, presença de palco e uma certa consciência corporal que permitem que eu ainda faça disso um hobbie, mas não preencher formulários como profissão: bailarina incomoda. Assim como não virar mais x fouettés ou subir a perna na orelha enquanto falo no telefone.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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3.viagens. eu deveria ter bebido menos e viajado mais – até porque eu teria bebido nas viagens então estaria no lucro. Fazendo uma conta por alto o que eu gastei de tempo em festas e cerveja ruim eu teria viajado muito mais e bebido cerveja ruim e me divertido igual. aí você vai que o tempo passa, vc vai mudando de prioridades, vai envelhecendo e tem roupa pra lavar e fim. Mas Nat, você pode viajar agora. Posso, eu posso viajar até os y anos, mas não é a mesma coisa ok. então me deixa.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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4. Esportes. Apesar do ballet, eu era muito boa em alguns esportes, tipo judô, jiu jitsu e tiro. Antes de começar o mimimi de “nossa que violenta”, o cu não tem nada a ver com as calças e pra qualquer um desses vc tem que ter o mínimo de noção e qeuilíbrio e disciplina, então não me cansa a beleza. Mas o fato é que eu era realmente boa nisso. tenho troféu e medalha e tudo; mas por motivos aleatórios não investi em nenhum deles como devia e fim. tenho só história para contar.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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5. Faculdade. Eu em um momento 2002 da vida tive a ideia genial de fazer Direito. A ideia, vejam, é tão genial como colocar um elefante em cima de uma árvore. Acabou que na metade eu sabia que não era isso que eu queria, mas como faltavam só mais dois anos resolvi terminar e depois fazer outra. Terminei e não fiz porra nenhuma depois. Numa dessas aprendi a virar cerveja, ganhar muitos quilos, não dormir e tenho uma OAB que não uso. Fim. Deveria ter feito jornalismo.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:

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6. Skate. Taí uma coisa que eu SEMPRE tive vontade mas nunca consegui. Talvez por tentar sempre meia vez e não dar continuidade, talvez por não ter um skate, mas enfim. sonho de uma vida. Meus amigos todos andavam de skate mas nunca queriam dividir, então meu pai me deu um patins (oi?) e eu me contentei com ele até porque eu era mais rápida e ágil que os amigos que me negaram o skate. Hoje sinto que vou tentar e me estabacar no chão, mas estamos aceitando aulas. Afinal, antes tarde que mais tarde.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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Por ora só lembro dessas, mas poxa, já é um começo né? Como a nessa, não to com pretensão nenhuma de realizar ou nada (a não ser o skate que faz uns bons anos que é resolução de ano novo), mas vai que né? Reza a lenda que colocando no papel a gente mentaliza, etc etc etc.. como não to achando que vai virar nada, o que vier é lucro.

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New year… old dreams…

O ano novo começou e ao invés de escrever resoluções eu optei por escrever frustrações. “Mas por que?” – você me pergunta meu caro leitor.
Porque minha resolução deste ano é: elaborar as frustrações acumuladas nestes 30 fuckin’ anos de reencarnação.

Então vamos com calma porque a lista é grande. Vem com a tya.

  1. Escrever contos: Na oitava série e no segundo ano de cursinho, 1999 e 2004, foram os únicos anos que eu consegui escrever contos e dissertações com razoável qualidade e pouca dificuldade… em 2006 e 2007 retomei a escrita com reflexões e hoje apenas escrevo alguns mimimi variados neste blog, textões em FB, breves tweets, legenda em foto de instagram e não menos importantes: projetos acadêmicos.  Sei que aprendi a ter coerência na escrita e para a média populacional, até que escrevo bem, mas sempre fico com a sensação que gostaria de me expressar melhor ou de forma mais literária.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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  1. Fotografia: Sempre foi uma grande paixão, ganhei minha primeira câmera aos 8 anos de idade e nunca desgrudava dela. Enchia meu pai para comprar filmes e depois para revelá-los (o que gerava muita fala: Vc acha que eu sou sócio da kodak, menina?). A paixão deu uma leve amadurecida, acabei comprando uma super zoom da nikon para aprender a usar o modo manual, mas foi ai que desandou. Nenhum curso me aceitava por eu ter uma superzoom e não uma Dslr, e como ser autodidata não é o meu forte acabo usando daquele jeito, na tentativa e erro. Pensei em vender a superzoom e pegar uma dslr, mas quando pesquiso o preço das lentes básicas, os valores fazem meu bolso doer. Lamentemos.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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  1. Ballet: Eu fui matriculada no ballet aos 4 anos, como 97% das garotas, parei ainda criança e retomei a dança na adolescência,  mas o sonho durou pouco. Além do bullying sofrido por eu ser mais cheinha – bullying especialmente ds professora, que merecia um processo na cara – também tinha dificuldades para decorar longas sequências com pouco ensaio, logo, me reprovaram na avaliação  (sem antes ter um pouco de humilhação). Traumatizei. Hoje não danço nem sozinha em casa. Talvez fosse a escola, se eu tivesse em outra teria aprendido a me expressar melhor, mas enfim. Cagada feita. Frustração instalada.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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  1. Veterinária: Minha paixão por animais nunca foi mistério, mas não adianta apenas gostar de bicho se vc não sabe física e química para passar no vestibular. Como a única opção era a universidade pública, e a concorrência era mais acirrada, tentei por 3x o vestibular, sendo dois anos de cursinho. Fracassei nas 3. Apesar disso tento lidar com essa frustração cuidando bem dos meus amimais e trabalhando com eles de outros modos terapêuticos.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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  1. Violão: Quem nunca quis ser um rockstar? Tá,  eu nunca quis ser famosa, mas sempre quis ter banda ou aprender a tocar aquelas músicas do c****** , desta forma ganhei um violão aos 12 anos, tive algumas aulas, mas simplesmente não conseguia manter os dedos na posição certa ou movê-los rapidamente. Fui cansando da minha descoordenação motora e encostei o violão.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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  1. Inglês: Está ai um negócio variável… tem dias que minha pronúncia está boa, tem dias que está pior que a do Joel Santana, tem dias que leio com facilidade e tem dias que me confundo com o verbo to be. Nos dias mais difíceis eu sento e choro e são nestes dias que me frustro  mais com o inglês.  Esse ano tomei vergonha na cara e já combinei aulas particulares, afinal o mundo não liga para minhas variações de humor linguísticas.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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  1. Concurso público: Sabe quando você se mata de estudar, chega na hora, vc bloqueia e assinala a alternativa mais away que existe? Ou quando vc está em dúvida em a certa e a errada e claaaro que marca a errada (ou passa errado para o gabarito)? Ou ainda quando vc finalmente vai bem em uma prova mas não chamam sua classificação ou cancelam o concurso (sim, já aconteceu) e vc ainda conhece pessoas que foram chamadas por obra do além, uma vez que brotaram 766873 vagas na validade do concurso que ela prestou? Pois é. Preciso falar mais nada.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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Para este 2016 eu não pretendo realizar nada dessa lista – tirando o inglês por necessidade acadêmica – mesmo que Leozinho passe a simbolizar superação (porque eu acredito que neste ano ele leva o Oscar coitado), o que eu quero para este ano é viver mais leve, sem amarras com frustrações, traçar novos objetivos com calma, mas sem neura para cumpri-los. Afinal, tenho aprendido que a vida tem que ser pelo menos divertida.

Então que este 2016 seja isso: DIVERTIDO.  

 

Me empresta o negativo?

Li a coluna da Ruth sobre a crise dos 35 e posso dizer que procuro lidar com essa crise aos 29, na porta dos 30… Ainda mais com essa epidemia de fotos da infância no FB, a nostalgia e a dissonâncias vindas do confronto dos ideias com a realidade, batem na porta.
A crise já ameaça começar quando vemos os adolescentes postando suas fotos de infância, já tiradas em máquinas digitais, enquanto eu tive que tirar uma foto da foto ou a scaneá-la, uma vez que foi revelada de um filme da kodak no final dos anos 80.
To velhaEu vivia escrevendo aqui sobre as mini crises de auto cobrança do ideal que nos pedem e do que de fato conseguimos, e sinceramente tenho parado de escrever sobre isso apenas pelo fato de tentar me comparar menos com os meus bem sucedidos colegas – aka os que já compraram apartamento e/ou tem filhos e/ou ganham bastante dinheiro e/ou viajam por ai, etc etc etc – simplesmente porque eu cansei de me torturar.
Chega uma hora que alcançamos nosso limite de autoflagelo. Eu alcancei o meu.
Se as comparações surgem das bocas de colegas, parentes ou mesmo amigos, eu apenas discrimino as contingências, ou melhor, eu apenas procuro entender que as situações que levaram aquele sujeito àquela situações foram bem diferentes da minha e que mesmo que fossem iguais, por eu ter uma personalidade única, eu faço o desfecho que eu der conta.
Confesso que parei de me sentir mal por não ter um blog bombado ou não ter escrito um livro (talvez por não ter assunto ou habilidade), por não ter as artimanhas para cozinhar – desculpe pelo arroz e panela torrados, marido – ou por dirigir bizarramente quando me sinto avaliada com alguém ao lado. Me esforço ao máximo, Brasil, se não deu paciência. Nova filosofia de vida.
A única crise contudo que eu ainda não consigo elaborar é a do passar do tempo e com isso as perdas de pessoas amadas… mas essa crise apenas com muita terapia ou um pouco de endurecimento da alma… Mas quem sabe um dia.

Viajo ou tenho um filho?

Preciso de chá e cama.

E as crises continuam, afinal a cada dia que me aproximo da casa dos trinta, apesar de faltar um ano e um mês para tal, as cobranças sociaiszzzzzzzzzzzzz aumentam…
Eu juro que tento me blindar das inimigas dos comentários e da auto cobrança, mas oi? Ansiedade nasceu comigo e pelo visto não me largará jamais.
A couraça que temos que nos revestir para não nos cobrar do desejo do outro é imensa que chega a pesar na alma.
Como indaguei no último post fico tentando separar o que é da minha vontade e do que é da vontade do outro, além, do que é da minha vontade sem eu me sentir culpada por não ser a mesma vontade do outro. Complexo? Simplifico.

Maria quer que eu coma beterraba. Eu quero brigadeiro. Eu como brigadeiro, mas fico culpada por não ter querido comer ou comido a beterraba que a Maria queria que eu comesse. Melhorou?

Já posso me internar?

Enfim, se alguém vender uma boa couraça ou tiver algum filtro mágico de cobranças, favor me emprestar.

As crises nossas de cada dia…

O mundo atual nos pede agilidade, produtividade e ganhos, muitos ganhos financeiros!
Entretanto quantos estão completamente felizes com o que fazem? Já parou para pensar nisso?
Você se imaginava há 10 anos atrás, que você estaria desta maneira hoje?

Fazer o que gosta ou o que se dá dinheiro?
Mas afinal, do que eu gosto?
E o que dá dinheiro?
Como escolher entre o “ganho mal mas faço o que amo, apesar das mil adversidades na minha carreira” com “ganho bem para ca$#$%#%$, mas odeio o que faço e nem suporto olhar para a cara dos outros”?

A sociedade hoje, mais cruel do que posso me lembrar, pede que antes dos trinta você tenha casa própria, carro quitado, marido e talvez um filho encomendado… Todos os critérios de felicidade global perpassam de alguma forma à sua condição financeira, afinal ninguém aqui tem casa de graça (nem quem ganhou de papai e mamãe – porque alguém pagou por isso), ou carro, ou família (porque precisam ter o o que comer) sem ter recursos monetários, mas e quando você não corresponde a todos, ou a nenhum dos itens cobrados especialmente porque o quesito DINHEIRO não gosta da sua companhia?
Facilmente podemos nos pegar comparando-nos aos outros que seguiram à risca a receita de bolo e de alguma forma conquistaram sua felicidade facebookiana e a escancara aos 7 ventos, e não a toa, tais comparações, e com elas pressões diversas, passam a se representar em forma de sintomas ansiosos ou depressivos… hoje sendo os mais recorrentes no relato da população.
Acredito que nossa forma de viver está adoecida, uma sociedade em que você vale pelo que você tem e pelo quanto você ganha – e que família passou a ser de alguma forma um produto – não pode ser a sociedade mais saudável.
E que rumo tomar?
Fica a pergunta… qual mundo você escolhe?
Montar a sua felicidade se esquivando dos padrões pedidos ou correspondendo às cobranças sociais mascarando o seu sentido de viver?
A escolha é sua.