Inconsciente

E eu prometi para ela que não ia dormir quando chegasse em casa, porque segundo nossas conclusões, meu sono era um escapismo dos problemas da realidade e isso só contribuiria para minha labilidade emocional.
Mas eu dormi mesmo assim, cheguei em casa lutando contra o sono, seja ele físico ou psicológico, e fui me deitar, primeiro jogando joguinhos no celular para me manter atenta, mas quando vi já estava adentrando no meu inconsciente.
Eu achei que meu sono era para escapar dos problemas, mas em resposta a isso, meu inconsciente provou estar atendo à nossa conversa no carro e me fez trouxe a tona todas as atuais demandas que tenho e até as que eu achava que não tinha. Era como se ele me dissesse: “Toma ai, sua louca, quer fugir? Não vai fugir porra nenhuma, eu não vou deixar. Vamos resolver essas tretas todas”.
E então acordei mais tensa, porém reflexiva, porém com os mesmos problemas batucando a cabeça. E tudo isso para dizer que talvez meu excesso de sono seja escapismo sim, mas pelo visto parou de funcionar adequadamente.

frustrações de ano novo

 

Graças a lista linda da Nessa me inspirei e roubei descaradamente o título, a proposta, os Di Caprios e até a resolução:

Porque minha resolução deste ano é: elaborar as frustrações acumuladas nestes 30 fuckin’ anos de reencarnação.

Inclusive, se pá, to tão ladra que tem até umas frustrações bem parecidas. Coisa de irmã né? Já que a gente não mora junto e nem é da mesma família pra poder compartilhar camiseta a gente compartilha frustração, porque não Brasil?

Então prepara um café, puxa um banquinho e vamos que vamos:

1. escrever de verdade. Porque eu tenho essa necessidade de falar, e consequentemente de escrever; até porque sempre foi relativamente mais fácil em muitos momentos colocar o que estava acontecendo no “papel” que efetivamente ir lá e falar. Simplesmente porque sobram pensamentos, faltam palavras, digitamos/escrevemos relativamente bem, obrigada. Blogs já tive às pampas, todos devidamente desativados em algum momento. cadernos, diários, cartas não enviadas. Fazemos coleção de pensamentos e um dia ainda boto certa fé de que compilarei isso e a história da minha vida em um conto fictício que vai virar filme. mas como isso é um plano de sei lá, uns 18 anos acho que se arrastará mais um pouco. Mas ó, prometo deixar os logins e senhas disponíveis para uma homenagem póstuma.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:

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2. ballet profissional. Porque o que eu faço hoje não conta. Conta como realização pessoal, como fonte de prazer e etc, mas tenho uma frustração eterna por ter parado no “auge” e demorado para voltar. Eu era bem boa, parei quando não devia e perdi o bonde. Me arrependo muito, muito, muito mesmo até porque hoje em dia nada colabora mais: idade, físico, tempo, responsabilidades, enfim. Sou grata por ainda ter joelhos, presença de palco e uma certa consciência corporal que permitem que eu ainda faça disso um hobbie, mas não preencher formulários como profissão: bailarina incomoda. Assim como não virar mais x fouettés ou subir a perna na orelha enquanto falo no telefone.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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3.viagens. eu deveria ter bebido menos e viajado mais – até porque eu teria bebido nas viagens então estaria no lucro. Fazendo uma conta por alto o que eu gastei de tempo em festas e cerveja ruim eu teria viajado muito mais e bebido cerveja ruim e me divertido igual. aí você vai que o tempo passa, vc vai mudando de prioridades, vai envelhecendo e tem roupa pra lavar e fim. Mas Nat, você pode viajar agora. Posso, eu posso viajar até os y anos, mas não é a mesma coisa ok. então me deixa.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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4. Esportes. Apesar do ballet, eu era muito boa em alguns esportes, tipo judô, jiu jitsu e tiro. Antes de começar o mimimi de “nossa que violenta”, o cu não tem nada a ver com as calças e pra qualquer um desses vc tem que ter o mínimo de noção e qeuilíbrio e disciplina, então não me cansa a beleza. Mas o fato é que eu era realmente boa nisso. tenho troféu e medalha e tudo; mas por motivos aleatórios não investi em nenhum deles como devia e fim. tenho só história para contar.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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5. Faculdade. Eu em um momento 2002 da vida tive a ideia genial de fazer Direito. A ideia, vejam, é tão genial como colocar um elefante em cima de uma árvore. Acabou que na metade eu sabia que não era isso que eu queria, mas como faltavam só mais dois anos resolvi terminar e depois fazer outra. Terminei e não fiz porra nenhuma depois. Numa dessas aprendi a virar cerveja, ganhar muitos quilos, não dormir e tenho uma OAB que não uso. Fim. Deveria ter feito jornalismo.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:

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6. Skate. Taí uma coisa que eu SEMPRE tive vontade mas nunca consegui. Talvez por tentar sempre meia vez e não dar continuidade, talvez por não ter um skate, mas enfim. sonho de uma vida. Meus amigos todos andavam de skate mas nunca queriam dividir, então meu pai me deu um patins (oi?) e eu me contentei com ele até porque eu era mais rápida e ágil que os amigos que me negaram o skate. Hoje sinto que vou tentar e me estabacar no chão, mas estamos aceitando aulas. Afinal, antes tarde que mais tarde.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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Por ora só lembro dessas, mas poxa, já é um começo né? Como a nessa, não to com pretensão nenhuma de realizar ou nada (a não ser o skate que faz uns bons anos que é resolução de ano novo), mas vai que né? Reza a lenda que colocando no papel a gente mentaliza, etc etc etc.. como não to achando que vai virar nada, o que vier é lucro.

Viajo ou tenho um filho?

Preciso de chá e cama.

E as crises continuam, afinal a cada dia que me aproximo da casa dos trinta, apesar de faltar um ano e um mês para tal, as cobranças sociaiszzzzzzzzzzzzz aumentam…
Eu juro que tento me blindar das inimigas dos comentários e da auto cobrança, mas oi? Ansiedade nasceu comigo e pelo visto não me largará jamais.
A couraça que temos que nos revestir para não nos cobrar do desejo do outro é imensa que chega a pesar na alma.
Como indaguei no último post fico tentando separar o que é da minha vontade e do que é da vontade do outro, além, do que é da minha vontade sem eu me sentir culpada por não ser a mesma vontade do outro. Complexo? Simplifico.

Maria quer que eu coma beterraba. Eu quero brigadeiro. Eu como brigadeiro, mas fico culpada por não ter querido comer ou comido a beterraba que a Maria queria que eu comesse. Melhorou?

Já posso me internar?

Enfim, se alguém vender uma boa couraça ou tiver algum filtro mágico de cobranças, favor me emprestar.

Quando eu ser grande

Estava aqui lendo e relendo blogs e grupos de discussão do linkedin e a importância de um portfólio decente, a má remuneração de jobs, e mais uma pá de coisas e me peguei pensando primeiro como eu tinha chegado ali – foi por uma matéria aleatória no hypeness,  descobri depois – e o que eu faço realmente da vida hoje. Porque né? É mais ou menos importante você definir esse tipo de coisa ao preencher um formulário, atualizar o linkedin ou montar um portfólio. E aí aquele tapa de realidade que “porra! não sei definir o que eu ‘sou’”. Porque as pessoas são advogados, jornalistas, designers, professores, psicólogos, engenheiros, etc… e eu sou o quê mesmo?

Me senti com meus poucos anos, quando cada dia queria ser uma coisa. Um dia acorda e pá: sou professora. No outro dia arquiteta, no outro desenhista, no outro atriz, cantora, oceanógrafa e por aí vai. Quando eu crescer…

quando. eu. crescer.

Esse dia – do quando crescer – parece uma coisa tão distante e aí quando você vai ver já está no vestibular, faculdade, estágio, trabalho e a vida sei lá, passou. O “quando eu crescer” fica perdido no tempo e no espaço e os planos parece que dormem junto com os sonhos de quando a grande sacada do universo era ser jogador de futebol. A real, de verdade, é que a gente complica sem precisar. Percebi isso quando, no fim de semana, enquanto eu matutava sobre os meus próximos planos e passos, meu filho vem e manda um “mamãe, quando eu ser grande vou comprar uma bola grande e um gol grande”. Simples assim. Mas e você vai fazer o que com isso filho? “Gol”. Não é óbvio?

quando. eu. ser. grande.

E por várias vezes ele tem soltado essa expressão do “ser grande” para as coisas mais simples e básicas do mundo. Que dá até vontade de sentar e explicar que olha, você não precisa crescer para isso, quando a gente cresce tem outras preocupações chatas e prioridades e… pra que mesmo que tem que explicar isso? A gente não aprende isso depois, no dia a dia, apanhando e tudo mais? E mais: porque mesmo que quando a gente crescer não pode só ser feliz e comprar uma bola e um gol grandes? Tem mesmo que ter um “título”? Ser X, Y ou Z? Ok, ok que na prática até que tem, afinal sempre há um formulário para preencher, mas seria tão melhor se pudesse só colocar no campo profissão algo como “gente grande”, ou “em construção”?

A real é que quando eu ser grande vou preencher tudo assim.

Por ora vou só ali ajeitar o linkedin e tentar ajeitar a minha agenda caótica.

 

quando eu crescer