#MeDeixaXésus

Não ando fãs de textões, tenho preguiça dos extensos mimimis, mas fazer o que se a alma da gente quer gritar as vezes e ainda mais quer gritar sermão? Apenas me rendo. Para tentar preservar um pouco da minha saúde mental.

Sabe, sempre ouvi que “a vida só é dura para quem é mole”, isso, depois de muito anos e muitas pauladas, percebi não ser verdade. Na realidade a citação deveria ser: “a vida é dura para quem não tem costas quentes” ou “A vida é dura para quem não mama em ninguém”. 

Acredito que minha atual frustração nem seja em perceber que o ditado mudou com os anos (se é que mudou, porque na minha opinião ele foi criado apenas para apaziguar as aflições daqueles não tão bem afortunados financeiramente e de contatos), mas ver que o considerado atualmente como certo não corresponde ao modo de minha criação e que dessa forma, além de me causar mal estar por crer que pensar deste modo vigente é errado e pouco idôneo, ainda me proporciona sofrimento por não me encaixar nesses padrões vigentes ~sempre fui outsider, mas agora tá demaix~ percebendo, por vezes, uma certa discriminação com o fato de eu prezar pela minha autonomia com conquistas próprias, porém pequenas e graduais.

A inversão de valores (ou seriam os valores reais da sociedade hoje, porém hoje mais expostos?) tem me assustado especialmente quando estes batem à minha porta me cobrando por algo que eu não acredito e que não farei.

Chegando aos 30 ~SO.COR.RO~ e “devendo”  algumas coisas para a sociedade, tais como casar-me oficialmente, ter um filho, ter uma casa própria AND ser 100% feliz o tempo TODO ~geração rivotril sorri enquanto te chicoteia~, a cobrança apenas aumenta quando você não tem nada disso uma vez que escolheu feat. sua história de vida contribuiu, a conquistar as coisas gradualmente, sem pressa e sem “ajudas” extras, mas com seus únicos esforços, até porque nem acredito que necessito de tudo aquilo que a sociedade me vende. Mas vai falar isso em voz alta?

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Viver é gratuito.

Sentada na varanda do apartamento, dei uma pausa na escrita do artigo científico para vir escrever um pouco sobre o que me inquieta de verdade. Não, não são as perguntas científicas na psicologia empírica, mas sim a rotina nossa e como estamos lidando com ela.
Enquanto eu, sentada na varanda, tentando adequar um parágrafo chato de um artigo, outros tantos estão por ai, com seus afazeres, sentados em suas varandas seguindo suas vidas e tentando solucionar seus afazeres.
Afinal o que nos une então? Acredito que seja a eterna dúvida do porque corremos tanto e não saímos do lugar… em apenas não conseguirmos curtir o momento por si só e encontrar prazer real nisso, em ficarmos cheios de deadlines (tão anos 70/80/90) para cumprir, aceitando a cobrança que nos impõe. Mas ao olhar o prédio da frente vi um jovem adulto, como nós, brincando com seu cachorrinho, jogando a bolinha e vindo com ele buscar, talvez esteja ai um momento único de diversão e não dever, em que você apenas vive aquilo que está acontecendo em sua vida.
Percebi que comecei a tornar até os momentos de diversão uma obrigação, como quando preciso ir ver meu cavalo e quero (me cobram/eu me cobro) que ele esteja de um dado jeito. Mas ele não tem as mesmas aflições que eu, assim como aquele cachorrinho do prédio da frente não tem, assim como meu gato, que só quer brincar, também não tem. Eles apenas vivem.
Então chego à conclusão que precisamos ser menos racionais e nos apegarmos apenas aos momentos aceitando-os como eles acontecem… É claro que ninguém aqui vai fazer aloka e largar tudo e viver num pasto, mas, saber dar um pause e apenas aproveitar é o mínimo para mantermos alguma saúde mental.

Pois é, sempre soube que os animais é quem são nossos verdadeiros professores, pena que não ensinam isso no nosso banco de escola.

Viajo ou tenho um filho?

Preciso de chá e cama.

E as crises continuam, afinal a cada dia que me aproximo da casa dos trinta, apesar de faltar um ano e um mês para tal, as cobranças sociaiszzzzzzzzzzzzz aumentam…
Eu juro que tento me blindar das inimigas dos comentários e da auto cobrança, mas oi? Ansiedade nasceu comigo e pelo visto não me largará jamais.
A couraça que temos que nos revestir para não nos cobrar do desejo do outro é imensa que chega a pesar na alma.
Como indaguei no último post fico tentando separar o que é da minha vontade e do que é da vontade do outro, além, do que é da minha vontade sem eu me sentir culpada por não ser a mesma vontade do outro. Complexo? Simplifico.

Maria quer que eu coma beterraba. Eu quero brigadeiro. Eu como brigadeiro, mas fico culpada por não ter querido comer ou comido a beterraba que a Maria queria que eu comesse. Melhorou?

Já posso me internar?

Enfim, se alguém vender uma boa couraça ou tiver algum filtro mágico de cobranças, favor me emprestar.

As crises nossas de cada dia…

O mundo atual nos pede agilidade, produtividade e ganhos, muitos ganhos financeiros!
Entretanto quantos estão completamente felizes com o que fazem? Já parou para pensar nisso?
Você se imaginava há 10 anos atrás, que você estaria desta maneira hoje?

Fazer o que gosta ou o que se dá dinheiro?
Mas afinal, do que eu gosto?
E o que dá dinheiro?
Como escolher entre o “ganho mal mas faço o que amo, apesar das mil adversidades na minha carreira” com “ganho bem para ca$#$%#%$, mas odeio o que faço e nem suporto olhar para a cara dos outros”?

A sociedade hoje, mais cruel do que posso me lembrar, pede que antes dos trinta você tenha casa própria, carro quitado, marido e talvez um filho encomendado… Todos os critérios de felicidade global perpassam de alguma forma à sua condição financeira, afinal ninguém aqui tem casa de graça (nem quem ganhou de papai e mamãe – porque alguém pagou por isso), ou carro, ou família (porque precisam ter o o que comer) sem ter recursos monetários, mas e quando você não corresponde a todos, ou a nenhum dos itens cobrados especialmente porque o quesito DINHEIRO não gosta da sua companhia?
Facilmente podemos nos pegar comparando-nos aos outros que seguiram à risca a receita de bolo e de alguma forma conquistaram sua felicidade facebookiana e a escancara aos 7 ventos, e não a toa, tais comparações, e com elas pressões diversas, passam a se representar em forma de sintomas ansiosos ou depressivos… hoje sendo os mais recorrentes no relato da população.
Acredito que nossa forma de viver está adoecida, uma sociedade em que você vale pelo que você tem e pelo quanto você ganha – e que família passou a ser de alguma forma um produto – não pode ser a sociedade mais saudável.
E que rumo tomar?
Fica a pergunta… qual mundo você escolhe?
Montar a sua felicidade se esquivando dos padrões pedidos ou correspondendo às cobranças sociais mascarando o seu sentido de viver?
A escolha é sua.