Um nota sobre relacionamentos

A sociedade atual prega a agilidade das tarefas, dos comportamentos e dos relacionamentos, tudo passou a ser descartável e aprendemos a eliminar ~ e não reparar ~ quando algo passa a não se adequar às nossas expectativas.
Venho notando, pelos relatos de conhecidos ou mesmo no âmbito profissional, que investir no outro “saiu de moda”, e o que é realmente é reforçado pela sociedade é fugacidade nas relações, sejam estas de amizade, amorosas ou familiares.
Não é mais ensinado o modelo empático para se compreender o outro, tão pouco os ganhos de um investimento em uma relação saudável, mas sim a saída mais fácil e rápida: O descarte do próximo. E talvez este seja o grande mal de nossa geração.
Ao ver esse vídeo, a respeito de uma pesquisa sobre intimidade, além de retomar esta reflexão que venho construindo, sobre o cultivar das relações, percebo ainda que ao passarmos correndo pela vida, simplesmente não nos atentamos ao outro, ainda mais quando este outro vive com a gente, e que de tão natural que a relação ficou, acaba passando despercebido na rotina.
Não observamos mais este outro, com suas características, seus detalhes, suas nuances. Não tocamos mais neste outro com a motivação da descoberta e do respeito à sua identidade.
Não damos a ele o seu lugar de existência.
E o vídeo mostra que em apenas 4 minutos de contato íntimo, ao olhar nos olhos do outro, parando nossa vida momentaneamente, podemos resgatar sentimentos e descobrir tanto sobre este outro e sobre nós mesmos. Algo simples, que podemos exercitar todos os dias. Um resgate de nossas relações.

Ah, se muitos soubessem que um olhar sincero é mais íntimo do que muitos toques e carícias, o mundo seria menos fugaz.

Em 55 anos de casamento, nós nunca realmente olhamos nos olhos um do outro dessa forma” – comentou uma mulher ao fim dos quatro minutos. “Quando eu olho para você de perto, percebo o quanto preciso de você“, – respondeu seu marido.

Uma Diva com D maiúsculo.

marilyn livroTerminei de ler “Marilyn últimas sessões” e um misto de sentimentos me acometeu… Apesar da história ser parcialmente ficção, ler sobre os traumas infantis de alguém e perceber como isso impactou significativamente em toda sua vida foi marcante, mais do que isso, perceber como o poder, o dinheiro e o status levam as pessoas a usarem umas às outras a todo o custo, como se estivessem puxando um carrinho preso a uma corda… e quando um lado da corda é o mais sensível e ingênuo, ele obviamente estoura…

E isso me marcou: o estouro da corda que segurava Marilyn

Apesar de crer que a análise a auxiliou muito, um sentimento de “e se” toma conta ao final do livro: “E se o terapeuta fosse outro, ela teria vivido?”, “E se as posturas profissionais desse terapeuta tivessem sido outra o desfecho também seria diferente?”…
Não há respostas, mas uma coisa é certa… o livro mostra claramente a perturbação de uma alma brilhante como a de Ms. Monroe, descreve o cenário conturbado em que ela tentava sobreviver e mostra acima de tudo que se não tivermos atentos, também sob análise, nós terapeutas podemos cometer grandes deslizes, independente de quem seja o paciente.
Enfim, fica a dica de leitura. 🙂