Inconsciente

E eu prometi para ela que não ia dormir quando chegasse em casa, porque segundo nossas conclusões, meu sono era um escapismo dos problemas da realidade e isso só contribuiria para minha labilidade emocional.
Mas eu dormi mesmo assim, cheguei em casa lutando contra o sono, seja ele físico ou psicológico, e fui me deitar, primeiro jogando joguinhos no celular para me manter atenta, mas quando vi já estava adentrando no meu inconsciente.
Eu achei que meu sono era para escapar dos problemas, mas em resposta a isso, meu inconsciente provou estar atendo à nossa conversa no carro e me fez trouxe a tona todas as atuais demandas que tenho e até as que eu achava que não tinha. Era como se ele me dissesse: “Toma ai, sua louca, quer fugir? Não vai fugir porra nenhuma, eu não vou deixar. Vamos resolver essas tretas todas”.
E então acordei mais tensa, porém reflexiva, porém com os mesmos problemas batucando a cabeça. E tudo isso para dizer que talvez meu excesso de sono seja escapismo sim, mas pelo visto parou de funcionar adequadamente.

New year… old dreams…

O ano novo começou e ao invés de escrever resoluções eu optei por escrever frustrações. “Mas por que?” – você me pergunta meu caro leitor.
Porque minha resolução deste ano é: elaborar as frustrações acumuladas nestes 30 fuckin’ anos de reencarnação.

Então vamos com calma porque a lista é grande. Vem com a tya.

  1. Escrever contos: Na oitava série e no segundo ano de cursinho, 1999 e 2004, foram os únicos anos que eu consegui escrever contos e dissertações com razoável qualidade e pouca dificuldade… em 2006 e 2007 retomei a escrita com reflexões e hoje apenas escrevo alguns mimimi variados neste blog, textões em FB, breves tweets, legenda em foto de instagram e não menos importantes: projetos acadêmicos.  Sei que aprendi a ter coerência na escrita e para a média populacional, até que escrevo bem, mas sempre fico com a sensação que gostaria de me expressar melhor ou de forma mais literária.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

gifleo gifleo

  1. Fotografia: Sempre foi uma grande paixão, ganhei minha primeira câmera aos 8 anos de idade e nunca desgrudava dela. Enchia meu pai para comprar filmes e depois para revelá-los (o que gerava muita fala: Vc acha que eu sou sócio da kodak, menina?). A paixão deu uma leve amadurecida, acabei comprando uma super zoom da nikon para aprender a usar o modo manual, mas foi ai que desandou. Nenhum curso me aceitava por eu ter uma superzoom e não uma Dslr, e como ser autodidata não é o meu forte acabo usando daquele jeito, na tentativa e erro. Pensei em vender a superzoom e pegar uma dslr, mas quando pesquiso o preço das lentes básicas, os valores fazem meu bolso doer. Lamentemos.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

gifleo gifleo gifleo gifleo

  1. Ballet: Eu fui matriculada no ballet aos 4 anos, como 97% das garotas, parei ainda criança e retomei a dança na adolescência,  mas o sonho durou pouco. Além do bullying sofrido por eu ser mais cheinha – bullying especialmente ds professora, que merecia um processo na cara – também tinha dificuldades para decorar longas sequências com pouco ensaio, logo, me reprovaram na avaliação  (sem antes ter um pouco de humilhação). Traumatizei. Hoje não danço nem sozinha em casa. Talvez fosse a escola, se eu tivesse em outra teria aprendido a me expressar melhor, mas enfim. Cagada feita. Frustração instalada.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

gifleo gifleo

  1. Veterinária: Minha paixão por animais nunca foi mistério, mas não adianta apenas gostar de bicho se vc não sabe física e química para passar no vestibular. Como a única opção era a universidade pública, e a concorrência era mais acirrada, tentei por 3x o vestibular, sendo dois anos de cursinho. Fracassei nas 3. Apesar disso tento lidar com essa frustração cuidando bem dos meus amimais e trabalhando com eles de outros modos terapêuticos.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

gifleo gifleo gifleo gifleo

  1. Violão: Quem nunca quis ser um rockstar? Tá,  eu nunca quis ser famosa, mas sempre quis ter banda ou aprender a tocar aquelas músicas do c****** , desta forma ganhei um violão aos 12 anos, tive algumas aulas, mas simplesmente não conseguia manter os dedos na posição certa ou movê-los rapidamente. Fui cansando da minha descoordenação motora e encostei o violão.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

gifleo gifleo

  1. Inglês: Está ai um negócio variável… tem dias que minha pronúncia está boa, tem dias que está pior que a do Joel Santana, tem dias que leio com facilidade e tem dias que me confundo com o verbo to be. Nos dias mais difíceis eu sento e choro e são nestes dias que me frustro  mais com o inglês.  Esse ano tomei vergonha na cara e já combinei aulas particulares, afinal o mundo não liga para minhas variações de humor linguísticas.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

gifleo

  1. Concurso público: Sabe quando você se mata de estudar, chega na hora, vc bloqueia e assinala a alternativa mais away que existe? Ou quando vc está em dúvida em a certa e a errada e claaaro que marca a errada (ou passa errado para o gabarito)? Ou ainda quando vc finalmente vai bem em uma prova mas não chamam sua classificação ou cancelam o concurso (sim, já aconteceu) e vc ainda conhece pessoas que foram chamadas por obra do além, uma vez que brotaram 766873 vagas na validade do concurso que ela prestou? Pois é. Preciso falar mais nada.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

gifleo gifleo gifleo

Para este 2016 eu não pretendo realizar nada dessa lista – tirando o inglês por necessidade acadêmica – mesmo que Leozinho passe a simbolizar superação (porque eu acredito que neste ano ele leva o Oscar coitado), o que eu quero para este ano é viver mais leve, sem amarras com frustrações, traçar novos objetivos com calma, mas sem neura para cumpri-los. Afinal, tenho aprendido que a vida tem que ser pelo menos divertida.

Então que este 2016 seja isso: DIVERTIDO.  

 

Casando com pouca grana mas muito calor humano.

E então eu me casei de papel passado, Braseeeel!!!!
Ninguém esperava por isso, e a decisão, apesar de ser namorada há 8 anos e namorida há 3, veio de repente, assim como os preparos e a vontade súbita de me tornar uma Senhora judicialmente reconhecida, porque de alma e coração eu já me conhecia assim.
Foi tudo simples, poucos gastos, tudo bem íntimo, ao ar livre, coração aberto e mensagens lindas de todos os cantos por onde espalhamos amigos, tanto dos que foram quanto os que acompanharam pela cobertura facebookiana ❤
Não entrei a cavalo, para a decepção de muitos (HAHAHAHAHA), nem levei os outros filhos (felinos/caninos), a fim de poupá-los do estresse do transporte, do barulho e da mudança de ambiente, mas os levei em pensamento…
E apesar de ser tudo do nosso gosto infelizmente não conseguimos chamar todos que gostaríamos, e outros não puderam vir por imprevistos da vida.
Mas como disse, o ritual em si foi delicado e tocante, com um ambiente muito, mas muito acolhedor e isso que importa. 
Apesar dos burburinhos, críticas e amarguras de alguns, nada nos tem abalado, antes/durante/depois, e apenas deixamos nossas orações para abrandar as almas mais endurecidas…

O que aprendi organizando um casório em poucos meses?

1) Que não precisa de rios de dinheiro, mas sim disponibilidade, bons amigos e mente aberta.
 2) Pesquisar BEM os preços.
 3) Apostar nas empresas familiares/menores – com indicação é claro.
 4) Pensar e apostar nas formas acolhedoras e criativas  na organização e decoração.
 5) Manter o pé no chão.
 6) Não dar ouvido aos desejos dos outros (a não ser seu desejo e o/a do(a) ser amado(a)) – Essa é a mais difícil na minha opinião e caí sim em pequenas ciladas. 
 7) Não ter medo de pedir ajuda. – Thanks a lot aos padrinhos, pais e sogros por isso.

E no final, deu tudo certo. ❤

Casório

Me empresta o negativo?

Li a coluna da Ruth sobre a crise dos 35 e posso dizer que procuro lidar com essa crise aos 29, na porta dos 30… Ainda mais com essa epidemia de fotos da infância no FB, a nostalgia e a dissonâncias vindas do confronto dos ideias com a realidade, batem na porta.
A crise já ameaça começar quando vemos os adolescentes postando suas fotos de infância, já tiradas em máquinas digitais, enquanto eu tive que tirar uma foto da foto ou a scaneá-la, uma vez que foi revelada de um filme da kodak no final dos anos 80.
To velhaEu vivia escrevendo aqui sobre as mini crises de auto cobrança do ideal que nos pedem e do que de fato conseguimos, e sinceramente tenho parado de escrever sobre isso apenas pelo fato de tentar me comparar menos com os meus bem sucedidos colegas – aka os que já compraram apartamento e/ou tem filhos e/ou ganham bastante dinheiro e/ou viajam por ai, etc etc etc – simplesmente porque eu cansei de me torturar.
Chega uma hora que alcançamos nosso limite de autoflagelo. Eu alcancei o meu.
Se as comparações surgem das bocas de colegas, parentes ou mesmo amigos, eu apenas discrimino as contingências, ou melhor, eu apenas procuro entender que as situações que levaram aquele sujeito àquela situações foram bem diferentes da minha e que mesmo que fossem iguais, por eu ter uma personalidade única, eu faço o desfecho que eu der conta.
Confesso que parei de me sentir mal por não ter um blog bombado ou não ter escrito um livro (talvez por não ter assunto ou habilidade), por não ter as artimanhas para cozinhar – desculpe pelo arroz e panela torrados, marido – ou por dirigir bizarramente quando me sinto avaliada com alguém ao lado. Me esforço ao máximo, Brasil, se não deu paciência. Nova filosofia de vida.
A única crise contudo que eu ainda não consigo elaborar é a do passar do tempo e com isso as perdas de pessoas amadas… mas essa crise apenas com muita terapia ou um pouco de endurecimento da alma… Mas quem sabe um dia.

Uma nota sobre a epidemia da gratidão.

Tenho notado em minhas redes sociais inúmeras pessoas postando em suas fotos a legenda “Gratidão”, as vezes o termo gratidão é seguido por um complemento, as vezes apenas o substantivo é destacado. Mas o ponto é que passei a me perguntar quando é que as pessoas se tornaram tão agradecidas desta forma?
Segundo o dicionário Gratidão é: substantivo feminino. 1. qualidade de quem é grato. 2. reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor etc.; agradecimento.
Então, será que todas estas pessoas estariam REALMENTE gratas a tudo que afirmam estar – desde um por do sol, até uma pizza na sexta a noite – ou seria mais um modismo como os tantos outros termos que usamos em nossas hashtags e legendas?
Lendo uma reportagem, me interessou a visão da psicanalista Monica Donetto Guedes que refere crer que o termo “gratidão” e suas variações passou a ser usado para contrabalancear à culpa pela exposição excessiva como uma forma de exposição menos arrogante.
Confesso que essa foi a teoria que mais fez sentido quando observo a epidemia que o termo se tornou, especialmente quando observamos algum padrão comportamental prévio daqueles que geralmente postam, identificando sinais, em seu repertório, de uma exposição de imagens e atos do dia a dia sempre muito bem marcada.
É claro que não dá para generalizar, eu realmente creio que muitos estão verdadeiramente gratos pelo existir – e por seus detalhes – muitas vezes esquecido em nossa correria visando a sobrevivência, mas acredito que como Carolina Bergier, falou na mesma reportagem, muitos apenas reproduzem a palavra sem de fato senti-la em suas vidas. ou seja,
Ao meu ver, muitos além de abafar a própria exposição de modo até inconsciente – não necessariamente no sentido psicanalista mas no sentido de baixa reflexão sobre – também reproduzem a “gratidão” como forma de identificação com o grupo social, suprindo o desejo de igualar-se coletivamente.
Então, antes de sairmos reproduzindo modismos bonitos dos famosos e/ou espiritualistas, vale a pena refletirmos se aquilo realmente se encaixa em nossas vidas e aceitar o fato de que  mesmo que não faça parte, não há problema nenhum pois dessa forma estaremos existindo de forma sincera e completa. Sendo ou não grato, expressando ou não seus sentimentos, viva o que realmente faz sentido a você e expresse o que lhe faz bem, sem a necessidade única de sentir-se incluído ou mostrar-se bem e realizado em todos os momentos de sua vida.
Agora, sobre felicidade, realização e exposição… bem… a gente conversa em outro post.

Namastê ~Gratidão ~ Beijos de Luz.

Mundo Equestre Particular #5

Porque SIIIIMMMM, a saga do Mundo Equestre Particular voltoooou! 
(A pedidos do Cacau, meu grande amigo e que segue a saga de perto, e porque meu cavalo voltou a ser teimoso bacarai!!!)
AEEEEE!!!

Eu fui criada acreditando que o mundo do cavalo era um mundo disney! Apesar de eu ser sido criada como uma princesa mais roots (like Valente), eu sempre acreditei naqueles filmes fofinhos de que o cavalo possuído ficava manso apenas ao receber e sentir o amor de sua tutora… 
E como diz Marido para mim: “Acorda, pudinzão*!”
Pois é, aprendo a duras penas, lendo muitos livros, vendo muitos vídeos e convivendo com meu cavalo que o mundo não é disney… o mundo é HARD!!! Que sempre que meu cavalo faz algo errado para a minha pessoa, a culpa é MINHA e não dele e que ele não tem a sagacidade e nem magia das fadas para sacar o que eu quero… 
Sorry but it’s true. 
O grande problema da minha díade equina deve-se ao fato de não decidirmos se castraremos ou não o meu cavalo, bem como sempre achamos ou melhor não achamos que o adestrador é experiente e racional o suficiente para domá-lo para montaria.

Pausa rápida: Meu cavalo é dócil, anda de cabresto, deixa fazer as patinhas (casquear), dar banho, porém nunca recebeu sela e não sou EU que vou montar primeiro, digamos que por motivos óbvios de eu querer manter meus dentes ou meus ossos intactos. Obrigada.

Então ficamos nessa lenga de treiná-lo para ele não redescobrir seu lado selvagem porém sem dar um passo além que é a montaria em si. 
Hoje eu especial ocorreu que ele me mordeu de novo. Sim, meus caros. Mas na verdade ele não vinha me mordendo há mto tempo, estávamos super nos entendendo, mas não tive a sagacidade de compreender o ambiente mais rápido e tomei a mordida. 
Por ter éguas no cio no piquete próximo, e um cavalo inteiro (não castrado) recém chegado e também próximo, meu cavalo estava enlouquecido nas trevas! E até que ele foi bonzinho porque me deixou colocar cabresto e arrumar sua crina, porém nada mais e quando tentei algum outro cuidado = “NHAC!!!!!! Sai daqui humada do carai!!!! Não me deixa dar umas bimbadinhas por ai e também não me castra!!!! Sua louca!! te odeio!!!” (Meu cavalo, 2015.)

Enfim, a culpa é minha né gente? Fica o esfolado na perna para eu me lembrar de:
A) Analisar o ambiente ANTES de fazer qq coisa.
B) Decidir DE UMA VEZ sobre a castração.
C) Arrumar O MAIS URGENTE POSSÍVEL um adestrador decente.
D) Descer do pé de alface, pq essa vida de Alice sonhado está me machucando literalmente.

*Pudinzão = Apelido irônico que marido me deu por motivos de: eu chorar até assistindo Sílvio Santos.