a realidade que a gente cria

tem dias que não são lá muito fáceis e fazem você parar pra repensar tudo que está certo ou errado na vida. no mundo quiçá, mas como o mundo é deveras complicado, a vida talvez seja já mais que suficiente, com todas suas incógnitas, defeitos, acertos e etc.

o fato é que desde pequenos nós vamos nos moldando e criando figuras de o que é certo e o que é errado e pior: figuras de o que achamos que vai ser o nosso futuro, de como as coisas devem ser, o que é certo para a gente, o que vai nos fazer feliz.

aí você cresce e vem a realidade de que aqueles seus planos podem não correr como esperado. e aqui não estamos nem falando de frustrações acadêmicas ou familiares/amorosas. são as pequenas frustrações do dia a dia, aquelas coisas que você realmente do fundo do coração acreditava ter sob controle e que na prática, bem, na prática não é bem assim.

são coisas idiotas como uma cama arrumada, uma louça guardada ou um tempo para ler um livro. coisas que, em algum momento você idealizou como sendo coisas legais para se ter uma vida boa. não era ter o carro do ano ou viajar para o exterior. era só ler um livro, ter um tempo para fazer nada sem se sentir culpada por estar largando outras coisas de lado.

mas aí você trabalha, você cuida de n responsabilidade que – erroneamente, hoje você vê – chamou para você. porque em algum momento x criou a figura de que se é para as coisas estarem ok então a única pessoa que pode fazer isso é você, é sua obrigação e os que estão a sua volta devem estar felizes e agradados. mas, porque mesmo?

onde mesmo que a gente se perde desse tanto de achar que vale a pena se deixar de lado? onde mesmo que achamos que somos responsáveis por tudo no mundo? então, o que fazer agora? sentar e chorar? mandar tudo as favas? parar de fazer? fingir que não se importa?

na verdade nenhuma dessas acho que resolve. o chorar talvez, pelo menos se coloca para fora já que, na prática, se for falar acaba que tudo não passa de uma cobrança sua com você mesmo e um exagero da sua parte, que vê a realidade distorcida e exagera o como as coisas realmente são.

exagero?

ou será que é mais fácil ver como exagero que realmente se colocar no lugar do outro e tentar fazer funcionar? taí uma pergunta sem resposta.

taí uma agonia que não passa.

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frustrações de ano novo

 

Graças a lista linda da Nessa me inspirei e roubei descaradamente o título, a proposta, os Di Caprios e até a resolução:

Porque minha resolução deste ano é: elaborar as frustrações acumuladas nestes 30 fuckin’ anos de reencarnação.

Inclusive, se pá, to tão ladra que tem até umas frustrações bem parecidas. Coisa de irmã né? Já que a gente não mora junto e nem é da mesma família pra poder compartilhar camiseta a gente compartilha frustração, porque não Brasil?

Então prepara um café, puxa um banquinho e vamos que vamos:

1. escrever de verdade. Porque eu tenho essa necessidade de falar, e consequentemente de escrever; até porque sempre foi relativamente mais fácil em muitos momentos colocar o que estava acontecendo no “papel” que efetivamente ir lá e falar. Simplesmente porque sobram pensamentos, faltam palavras, digitamos/escrevemos relativamente bem, obrigada. Blogs já tive às pampas, todos devidamente desativados em algum momento. cadernos, diários, cartas não enviadas. Fazemos coleção de pensamentos e um dia ainda boto certa fé de que compilarei isso e a história da minha vida em um conto fictício que vai virar filme. mas como isso é um plano de sei lá, uns 18 anos acho que se arrastará mais um pouco. Mas ó, prometo deixar os logins e senhas disponíveis para uma homenagem póstuma.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:

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2. ballet profissional. Porque o que eu faço hoje não conta. Conta como realização pessoal, como fonte de prazer e etc, mas tenho uma frustração eterna por ter parado no “auge” e demorado para voltar. Eu era bem boa, parei quando não devia e perdi o bonde. Me arrependo muito, muito, muito mesmo até porque hoje em dia nada colabora mais: idade, físico, tempo, responsabilidades, enfim. Sou grata por ainda ter joelhos, presença de palco e uma certa consciência corporal que permitem que eu ainda faça disso um hobbie, mas não preencher formulários como profissão: bailarina incomoda. Assim como não virar mais x fouettés ou subir a perna na orelha enquanto falo no telefone.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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3.viagens. eu deveria ter bebido menos e viajado mais – até porque eu teria bebido nas viagens então estaria no lucro. Fazendo uma conta por alto o que eu gastei de tempo em festas e cerveja ruim eu teria viajado muito mais e bebido cerveja ruim e me divertido igual. aí você vai que o tempo passa, vc vai mudando de prioridades, vai envelhecendo e tem roupa pra lavar e fim. Mas Nat, você pode viajar agora. Posso, eu posso viajar até os y anos, mas não é a mesma coisa ok. então me deixa.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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4. Esportes. Apesar do ballet, eu era muito boa em alguns esportes, tipo judô, jiu jitsu e tiro. Antes de começar o mimimi de “nossa que violenta”, o cu não tem nada a ver com as calças e pra qualquer um desses vc tem que ter o mínimo de noção e qeuilíbrio e disciplina, então não me cansa a beleza. Mas o fato é que eu era realmente boa nisso. tenho troféu e medalha e tudo; mas por motivos aleatórios não investi em nenhum deles como devia e fim. tenho só história para contar.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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5. Faculdade. Eu em um momento 2002 da vida tive a ideia genial de fazer Direito. A ideia, vejam, é tão genial como colocar um elefante em cima de uma árvore. Acabou que na metade eu sabia que não era isso que eu queria, mas como faltavam só mais dois anos resolvi terminar e depois fazer outra. Terminei e não fiz porra nenhuma depois. Numa dessas aprendi a virar cerveja, ganhar muitos quilos, não dormir e tenho uma OAB que não uso. Fim. Deveria ter feito jornalismo.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:

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6. Skate. Taí uma coisa que eu SEMPRE tive vontade mas nunca consegui. Talvez por tentar sempre meia vez e não dar continuidade, talvez por não ter um skate, mas enfim. sonho de uma vida. Meus amigos todos andavam de skate mas nunca queriam dividir, então meu pai me deu um patins (oi?) e eu me contentei com ele até porque eu era mais rápida e ágil que os amigos que me negaram o skate. Hoje sinto que vou tentar e me estabacar no chão, mas estamos aceitando aulas. Afinal, antes tarde que mais tarde.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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Por ora só lembro dessas, mas poxa, já é um começo né? Como a nessa, não to com pretensão nenhuma de realizar ou nada (a não ser o skate que faz uns bons anos que é resolução de ano novo), mas vai que né? Reza a lenda que colocando no papel a gente mentaliza, etc etc etc.. como não to achando que vai virar nada, o que vier é lucro.

das coisas que eu gostaria de entender

…a dificuldade que as pessoas tem de escutar e/ou decidir.

sério. é pedir demais que parem para ouvir quando eu tenho que falar/perguntar alguma coisa? custa decidir alguma coisa – e vejam aqui que não é nada complexo, são coisas triviais, como o que quer comer, se quer ir, enfim – me diz: custa? deve custar e deve ser caro né, porque vou te contar… não tá fácil não.

seria legal se passasse pela mente de quem não ouve/decide que se eu estou perguntando é porque opa! preciso de uma opinião! ou então estou cansada de fazer tudo sozinha e um palpite ou vontade poderiam ajudar. mas pra que facilitar né?

bora deixar a louca mais louca, a cansada mais cansada e assim por diante…

esgotamento

Eu sei lá vocês, mas tem dias em que a sensação é de que não sobrou nada para contar história. As coisas vão sendo feitas sabe-se lá como, as palavras saem por sair, as tarefas vão sendo riscadas e você nem sabe muito bem o porque ou como. É como se na verdade eu fosse outra pessoa, e essa pessoa está aí, trabalhando cozinhando lavando passando arrumando telefonando escrevendo, mas Y do como isso tudo aconteceu. Quando vai ver já está lá com o aspirador em punho ou fazendo uma lista de afazeres ou enviando um email – pera, o que estava escrito no email mesmo? – e assim vai.

Acho que isso deve ser o tal do esgotamento. Quando você não tem mais vontade forças ou seja lá o que for que te move e ainda assim não para porque oi, não dá para parar minha filha. Se você parar só vai acumular tudo e você bem sabe o como odeia fazer coisas atrasadas/acumuladas. É só lembrar da louça que lavou hoje cedo porque ontem a noite ficou. Vai lá e faz logo, fudida por fudida tanto faz mesmo.

Muito louco tudo isso. Não sei nem se faz sentido.

Sei que estou esgotada.

 

ps- acabei de perceber que já tem um post com esse título, pra vc ver que esgotamento: não sabemos fazer passar. Um beijo

pânico define

Porque né, vai dia menos dia, os afazeres aparecem e vão crescendo e acumulando. Sim, acumulando, porque você não se organizou, está de saco cheio, cansada, sem inspiração e eles vão ali ficando, e ficando e ficando. Cansaço definiria bem, mas pânico define melhor.

Pânico e desepero, porque hoje, no começo de dezembro você olha os afazeres de sei lá, 15 de novembro e eles não foram feitos. não foram. apenas. Isso não é legal, não é bacana, não é responsável ou whatever possa se dizer disso. Mas né? agora a gente vai lá, dá uma de louca e tenta resolver tudo em três horas.

Vou ali comprar uma camisa de força. com sorte descolo uma internação e não preciso mexer em nada disso pelos próximos 15 dias.

cabou humanidade

Acho chato eu chegar aqui e reclamar do mundo (na verdade das pessoas que vivem nele). A impressão que dá é que tá tudo certo, tudo legal e eu que sou a errada. E até pode ser, vai saber, você querer que as pessoas sejam bacanas, sinceras, abertas às novidades e às diferenças. E veja que diferença aqui não é nada demais, mas o simples (simples?) fato de ouvir o outro, de não se achar o centro do universo, não querer passar todo mundo para trás porque dig dig din sou foda.

É que é especialmente triste você ver que está certo em algumas situações. A loka né? estar certa e não querer, mas é que quando isso se trata de um julgamento de caráter é sim triste, você achar que a pessoa não é assim uma brastemp, dar um voto de confiança e ela realmente não ser. Lógico que se fosse bem parar pra pensar, alguém que fala mal de to-do mundo pelas costas mas paga de amiga na frente não poderia ser assim la muito confiável né mermo? Mas é que sei lá, rola um quê de Polyana de jogar o jogo do contente e achar que pode sim ser diferente, que pode ser uma impressão errada ou sei lá. Tonta né.

Mas enfim… acho que essas servem pra gente meio que largar a mão de ser bacana, de deixar passar, de se auto valorizar e etc e tal. Já que infelizmente não dá pra depender de geral ser bom, fazer o meu pouquinho pra tentar passar isso pra frente e vamo que vamo.

Ah, antes que eu me esqueça, pau no seu cu. Sou legal, tento relevar, mas no fundo quero mesmo é xingar.

Um beijo.

Do you remember?

É engraçado quando às vezes vem uns pensamentos do nada, de coisas que passaram há muito tempo, pessoas que há muito você não lembrava que existiam, e que não faz sentido lembrar agora. Logo agora.

Não, não altera em nada os seus afazeres ou sentimentos diários, mas é engraçado pensar a participação que já tiveram um dia e o como isso parece tão passageiro e insignificante hoje. É como se tivesse vivido outra vida. A vida de 2010, a vida de 2003, enfim… muitas vidas, muito distantes e todas em uma mesma, porque né, sou a mesma desde 1985 mas de verdade acho que já fui muitas. Vidas passadas em uma mesma. Tem como isso produção?

Pois ontem me peguei pensando em uma dessas minhas vidas passadas. Não com saudade, ou tristeza, ou raiva, na verdade só pensando mesmo, lembrando, tentante ver onde foi que isso ficou tão distante ao ponto de parecer ter sido lido em um livro ou visto em um filme. Era eu mesmo? Era você?

Tá certo, tá obvio, todos sabemos que essas coisas todas fazem parte do que somos hoje etc e tal. Mas é estranho a distância da realidade.

(Mas nada que uma breve busca no facebook não te diga que sim, foi real.)