Uma nota sobre a epidemia da gratidão.

Tenho notado em minhas redes sociais inúmeras pessoas postando em suas fotos a legenda “Gratidão”, as vezes o termo gratidão é seguido por um complemento, as vezes apenas o substantivo é destacado. Mas o ponto é que passei a me perguntar quando é que as pessoas se tornaram tão agradecidas desta forma?
Segundo o dicionário Gratidão é: substantivo feminino. 1. qualidade de quem é grato. 2. reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor etc.; agradecimento.
Então, será que todas estas pessoas estariam REALMENTE gratas a tudo que afirmam estar – desde um por do sol, até uma pizza na sexta a noite – ou seria mais um modismo como os tantos outros termos que usamos em nossas hashtags e legendas?
Lendo uma reportagem, me interessou a visão da psicanalista Monica Donetto Guedes que refere crer que o termo “gratidão” e suas variações passou a ser usado para contrabalancear à culpa pela exposição excessiva como uma forma de exposição menos arrogante.
Confesso que essa foi a teoria que mais fez sentido quando observo a epidemia que o termo se tornou, especialmente quando observamos algum padrão comportamental prévio daqueles que geralmente postam, identificando sinais, em seu repertório, de uma exposição de imagens e atos do dia a dia sempre muito bem marcada.
É claro que não dá para generalizar, eu realmente creio que muitos estão verdadeiramente gratos pelo existir – e por seus detalhes – muitas vezes esquecido em nossa correria visando a sobrevivência, mas acredito que como Carolina Bergier, falou na mesma reportagem, muitos apenas reproduzem a palavra sem de fato senti-la em suas vidas. ou seja,
Ao meu ver, muitos além de abafar a própria exposição de modo até inconsciente – não necessariamente no sentido psicanalista mas no sentido de baixa reflexão sobre – também reproduzem a “gratidão” como forma de identificação com o grupo social, suprindo o desejo de igualar-se coletivamente.
Então, antes de sairmos reproduzindo modismos bonitos dos famosos e/ou espiritualistas, vale a pena refletirmos se aquilo realmente se encaixa em nossas vidas e aceitar o fato de que  mesmo que não faça parte, não há problema nenhum pois dessa forma estaremos existindo de forma sincera e completa. Sendo ou não grato, expressando ou não seus sentimentos, viva o que realmente faz sentido a você e expresse o que lhe faz bem, sem a necessidade única de sentir-se incluído ou mostrar-se bem e realizado em todos os momentos de sua vida.
Agora, sobre felicidade, realização e exposição… bem… a gente conversa em outro post.

Namastê ~Gratidão ~ Beijos de Luz.

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