a realidade que a gente cria

tem dias que não são lá muito fáceis e fazem você parar pra repensar tudo que está certo ou errado na vida. no mundo quiçá, mas como o mundo é deveras complicado, a vida talvez seja já mais que suficiente, com todas suas incógnitas, defeitos, acertos e etc.

o fato é que desde pequenos nós vamos nos moldando e criando figuras de o que é certo e o que é errado e pior: figuras de o que achamos que vai ser o nosso futuro, de como as coisas devem ser, o que é certo para a gente, o que vai nos fazer feliz.

aí você cresce e vem a realidade de que aqueles seus planos podem não correr como esperado. e aqui não estamos nem falando de frustrações acadêmicas ou familiares/amorosas. são as pequenas frustrações do dia a dia, aquelas coisas que você realmente do fundo do coração acreditava ter sob controle e que na prática, bem, na prática não é bem assim.

são coisas idiotas como uma cama arrumada, uma louça guardada ou um tempo para ler um livro. coisas que, em algum momento você idealizou como sendo coisas legais para se ter uma vida boa. não era ter o carro do ano ou viajar para o exterior. era só ler um livro, ter um tempo para fazer nada sem se sentir culpada por estar largando outras coisas de lado.

mas aí você trabalha, você cuida de n responsabilidade que – erroneamente, hoje você vê – chamou para você. porque em algum momento x criou a figura de que se é para as coisas estarem ok então a única pessoa que pode fazer isso é você, é sua obrigação e os que estão a sua volta devem estar felizes e agradados. mas, porque mesmo?

onde mesmo que a gente se perde desse tanto de achar que vale a pena se deixar de lado? onde mesmo que achamos que somos responsáveis por tudo no mundo? então, o que fazer agora? sentar e chorar? mandar tudo as favas? parar de fazer? fingir que não se importa?

na verdade nenhuma dessas acho que resolve. o chorar talvez, pelo menos se coloca para fora já que, na prática, se for falar acaba que tudo não passa de uma cobrança sua com você mesmo e um exagero da sua parte, que vê a realidade distorcida e exagera o como as coisas realmente são.

exagero?

ou será que é mais fácil ver como exagero que realmente se colocar no lugar do outro e tentar fazer funcionar? taí uma pergunta sem resposta.

taí uma agonia que não passa.

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Inconsciente

E eu prometi para ela que não ia dormir quando chegasse em casa, porque segundo nossas conclusões, meu sono era um escapismo dos problemas da realidade e isso só contribuiria para minha labilidade emocional.
Mas eu dormi mesmo assim, cheguei em casa lutando contra o sono, seja ele físico ou psicológico, e fui me deitar, primeiro jogando joguinhos no celular para me manter atenta, mas quando vi já estava adentrando no meu inconsciente.
Eu achei que meu sono era para escapar dos problemas, mas em resposta a isso, meu inconsciente provou estar atendo à nossa conversa no carro e me fez trouxe a tona todas as atuais demandas que tenho e até as que eu achava que não tinha. Era como se ele me dissesse: “Toma ai, sua louca, quer fugir? Não vai fugir porra nenhuma, eu não vou deixar. Vamos resolver essas tretas todas”.
E então acordei mais tensa, porém reflexiva, porém com os mesmos problemas batucando a cabeça. E tudo isso para dizer que talvez meu excesso de sono seja escapismo sim, mas pelo visto parou de funcionar adequadamente.

frustrações de ano novo

 

Graças a lista linda da Nessa me inspirei e roubei descaradamente o título, a proposta, os Di Caprios e até a resolução:

Porque minha resolução deste ano é: elaborar as frustrações acumuladas nestes 30 fuckin’ anos de reencarnação.

Inclusive, se pá, to tão ladra que tem até umas frustrações bem parecidas. Coisa de irmã né? Já que a gente não mora junto e nem é da mesma família pra poder compartilhar camiseta a gente compartilha frustração, porque não Brasil?

Então prepara um café, puxa um banquinho e vamos que vamos:

1. escrever de verdade. Porque eu tenho essa necessidade de falar, e consequentemente de escrever; até porque sempre foi relativamente mais fácil em muitos momentos colocar o que estava acontecendo no “papel” que efetivamente ir lá e falar. Simplesmente porque sobram pensamentos, faltam palavras, digitamos/escrevemos relativamente bem, obrigada. Blogs já tive às pampas, todos devidamente desativados em algum momento. cadernos, diários, cartas não enviadas. Fazemos coleção de pensamentos e um dia ainda boto certa fé de que compilarei isso e a história da minha vida em um conto fictício que vai virar filme. mas como isso é um plano de sei lá, uns 18 anos acho que se arrastará mais um pouco. Mas ó, prometo deixar os logins e senhas disponíveis para uma homenagem póstuma.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:

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2. ballet profissional. Porque o que eu faço hoje não conta. Conta como realização pessoal, como fonte de prazer e etc, mas tenho uma frustração eterna por ter parado no “auge” e demorado para voltar. Eu era bem boa, parei quando não devia e perdi o bonde. Me arrependo muito, muito, muito mesmo até porque hoje em dia nada colabora mais: idade, físico, tempo, responsabilidades, enfim. Sou grata por ainda ter joelhos, presença de palco e uma certa consciência corporal que permitem que eu ainda faça disso um hobbie, mas não preencher formulários como profissão: bailarina incomoda. Assim como não virar mais x fouettés ou subir a perna na orelha enquanto falo no telefone.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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3.viagens. eu deveria ter bebido menos e viajado mais – até porque eu teria bebido nas viagens então estaria no lucro. Fazendo uma conta por alto o que eu gastei de tempo em festas e cerveja ruim eu teria viajado muito mais e bebido cerveja ruim e me divertido igual. aí você vai que o tempo passa, vc vai mudando de prioridades, vai envelhecendo e tem roupa pra lavar e fim. Mas Nat, você pode viajar agora. Posso, eu posso viajar até os y anos, mas não é a mesma coisa ok. então me deixa.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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4. Esportes. Apesar do ballet, eu era muito boa em alguns esportes, tipo judô, jiu jitsu e tiro. Antes de começar o mimimi de “nossa que violenta”, o cu não tem nada a ver com as calças e pra qualquer um desses vc tem que ter o mínimo de noção e qeuilíbrio e disciplina, então não me cansa a beleza. Mas o fato é que eu era realmente boa nisso. tenho troféu e medalha e tudo; mas por motivos aleatórios não investi em nenhum deles como devia e fim. tenho só história para contar.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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5. Faculdade. Eu em um momento 2002 da vida tive a ideia genial de fazer Direito. A ideia, vejam, é tão genial como colocar um elefante em cima de uma árvore. Acabou que na metade eu sabia que não era isso que eu queria, mas como faltavam só mais dois anos resolvi terminar e depois fazer outra. Terminei e não fiz porra nenhuma depois. Numa dessas aprendi a virar cerveja, ganhar muitos quilos, não dormir e tenho uma OAB que não uso. Fim. Deveria ter feito jornalismo.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:

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6. Skate. Taí uma coisa que eu SEMPRE tive vontade mas nunca consegui. Talvez por tentar sempre meia vez e não dar continuidade, talvez por não ter um skate, mas enfim. sonho de uma vida. Meus amigos todos andavam de skate mas nunca queriam dividir, então meu pai me deu um patins (oi?) e eu me contentei com ele até porque eu era mais rápida e ágil que os amigos que me negaram o skate. Hoje sinto que vou tentar e me estabacar no chão, mas estamos aceitando aulas. Afinal, antes tarde que mais tarde.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o Oscar:
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Por ora só lembro dessas, mas poxa, já é um começo né? Como a nessa, não to com pretensão nenhuma de realizar ou nada (a não ser o skate que faz uns bons anos que é resolução de ano novo), mas vai que né? Reza a lenda que colocando no papel a gente mentaliza, etc etc etc.. como não to achando que vai virar nada, o que vier é lucro.

New year… old dreams…

O ano novo começou e ao invés de escrever resoluções eu optei por escrever frustrações. “Mas por que?” – você me pergunta meu caro leitor.
Porque minha resolução deste ano é: elaborar as frustrações acumuladas nestes 30 fuckin’ anos de reencarnação.

Então vamos com calma porque a lista é grande. Vem com a tya.

  1. Escrever contos: Na oitava série e no segundo ano de cursinho, 1999 e 2004, foram os únicos anos que eu consegui escrever contos e dissertações com razoável qualidade e pouca dificuldade… em 2006 e 2007 retomei a escrita com reflexões e hoje apenas escrevo alguns mimimi variados neste blog, textões em FB, breves tweets, legenda em foto de instagram e não menos importantes: projetos acadêmicos.  Sei que aprendi a ter coerência na escrita e para a média populacional, até que escrevo bem, mas sempre fico com a sensação que gostaria de me expressar melhor ou de forma mais literária.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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  1. Fotografia: Sempre foi uma grande paixão, ganhei minha primeira câmera aos 8 anos de idade e nunca desgrudava dela. Enchia meu pai para comprar filmes e depois para revelá-los (o que gerava muita fala: Vc acha que eu sou sócio da kodak, menina?). A paixão deu uma leve amadurecida, acabei comprando uma super zoom da nikon para aprender a usar o modo manual, mas foi ai que desandou. Nenhum curso me aceitava por eu ter uma superzoom e não uma Dslr, e como ser autodidata não é o meu forte acabo usando daquele jeito, na tentativa e erro. Pensei em vender a superzoom e pegar uma dslr, mas quando pesquiso o preço das lentes básicas, os valores fazem meu bolso doer. Lamentemos.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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  1. Ballet: Eu fui matriculada no ballet aos 4 anos, como 97% das garotas, parei ainda criança e retomei a dança na adolescência,  mas o sonho durou pouco. Além do bullying sofrido por eu ser mais cheinha – bullying especialmente ds professora, que merecia um processo na cara – também tinha dificuldades para decorar longas sequências com pouco ensaio, logo, me reprovaram na avaliação  (sem antes ter um pouco de humilhação). Traumatizei. Hoje não danço nem sozinha em casa. Talvez fosse a escola, se eu tivesse em outra teria aprendido a me expressar melhor, mas enfim. Cagada feita. Frustração instalada.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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  1. Veterinária: Minha paixão por animais nunca foi mistério, mas não adianta apenas gostar de bicho se vc não sabe física e química para passar no vestibular. Como a única opção era a universidade pública, e a concorrência era mais acirrada, tentei por 3x o vestibular, sendo dois anos de cursinho. Fracassei nas 3. Apesar disso tento lidar com essa frustração cuidando bem dos meus amimais e trabalhando com eles de outros modos terapêuticos.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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  1. Violão: Quem nunca quis ser um rockstar? Tá,  eu nunca quis ser famosa, mas sempre quis ter banda ou aprender a tocar aquelas músicas do c****** , desta forma ganhei um violão aos 12 anos, tive algumas aulas, mas simplesmente não conseguia manter os dedos na posição certa ou movê-los rapidamente. Fui cansando da minha descoordenação motora e encostei o violão.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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  1. Inglês: Está ai um negócio variável… tem dias que minha pronúncia está boa, tem dias que está pior que a do Joel Santana, tem dias que leio com facilidade e tem dias que me confundo com o verbo to be. Nos dias mais difíceis eu sento e choro e são nestes dias que me frustro  mais com o inglês.  Esse ano tomei vergonha na cara e já combinei aulas particulares, afinal o mundo não liga para minhas variações de humor linguísticas.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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  1. Concurso público: Sabe quando você se mata de estudar, chega na hora, vc bloqueia e assinala a alternativa mais away que existe? Ou quando vc está em dúvida em a certa e a errada e claaaro que marca a errada (ou passa errado para o gabarito)? Ou ainda quando vc finalmente vai bem em uma prova mas não chamam sua classificação ou cancelam o concurso (sim, já aconteceu) e vc ainda conhece pessoas que foram chamadas por obra do além, uma vez que brotaram 766873 vagas na validade do concurso que ela prestou? Pois é. Preciso falar mais nada.

Nível de frustração de 1 a 5 Leozinhos DiCaprio que perderam o oscar:

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Para este 2016 eu não pretendo realizar nada dessa lista – tirando o inglês por necessidade acadêmica – mesmo que Leozinho passe a simbolizar superação (porque eu acredito que neste ano ele leva o Oscar coitado), o que eu quero para este ano é viver mais leve, sem amarras com frustrações, traçar novos objetivos com calma, mas sem neura para cumpri-los. Afinal, tenho aprendido que a vida tem que ser pelo menos divertida.

Então que este 2016 seja isso: DIVERTIDO.  

 

Casando com pouca grana mas muito calor humano.

E então eu me casei de papel passado, Braseeeel!!!!
Ninguém esperava por isso, e a decisão, apesar de ser namorada há 8 anos e namorida há 3, veio de repente, assim como os preparos e a vontade súbita de me tornar uma Senhora judicialmente reconhecida, porque de alma e coração eu já me conhecia assim.
Foi tudo simples, poucos gastos, tudo bem íntimo, ao ar livre, coração aberto e mensagens lindas de todos os cantos por onde espalhamos amigos, tanto dos que foram quanto os que acompanharam pela cobertura facebookiana ❤
Não entrei a cavalo, para a decepção de muitos (HAHAHAHAHA), nem levei os outros filhos (felinos/caninos), a fim de poupá-los do estresse do transporte, do barulho e da mudança de ambiente, mas os levei em pensamento…
E apesar de ser tudo do nosso gosto infelizmente não conseguimos chamar todos que gostaríamos, e outros não puderam vir por imprevistos da vida.
Mas como disse, o ritual em si foi delicado e tocante, com um ambiente muito, mas muito acolhedor e isso que importa. 
Apesar dos burburinhos, críticas e amarguras de alguns, nada nos tem abalado, antes/durante/depois, e apenas deixamos nossas orações para abrandar as almas mais endurecidas…

O que aprendi organizando um casório em poucos meses?

1) Que não precisa de rios de dinheiro, mas sim disponibilidade, bons amigos e mente aberta.
 2) Pesquisar BEM os preços.
 3) Apostar nas empresas familiares/menores – com indicação é claro.
 4) Pensar e apostar nas formas acolhedoras e criativas  na organização e decoração.
 5) Manter o pé no chão.
 6) Não dar ouvido aos desejos dos outros (a não ser seu desejo e o/a do(a) ser amado(a)) – Essa é a mais difícil na minha opinião e caí sim em pequenas ciladas. 
 7) Não ter medo de pedir ajuda. – Thanks a lot aos padrinhos, pais e sogros por isso.

E no final, deu tudo certo. ❤

Casório

Me empresta o negativo?

Li a coluna da Ruth sobre a crise dos 35 e posso dizer que procuro lidar com essa crise aos 29, na porta dos 30… Ainda mais com essa epidemia de fotos da infância no FB, a nostalgia e a dissonâncias vindas do confronto dos ideias com a realidade, batem na porta.
A crise já ameaça começar quando vemos os adolescentes postando suas fotos de infância, já tiradas em máquinas digitais, enquanto eu tive que tirar uma foto da foto ou a scaneá-la, uma vez que foi revelada de um filme da kodak no final dos anos 80.
To velhaEu vivia escrevendo aqui sobre as mini crises de auto cobrança do ideal que nos pedem e do que de fato conseguimos, e sinceramente tenho parado de escrever sobre isso apenas pelo fato de tentar me comparar menos com os meus bem sucedidos colegas – aka os que já compraram apartamento e/ou tem filhos e/ou ganham bastante dinheiro e/ou viajam por ai, etc etc etc – simplesmente porque eu cansei de me torturar.
Chega uma hora que alcançamos nosso limite de autoflagelo. Eu alcancei o meu.
Se as comparações surgem das bocas de colegas, parentes ou mesmo amigos, eu apenas discrimino as contingências, ou melhor, eu apenas procuro entender que as situações que levaram aquele sujeito àquela situações foram bem diferentes da minha e que mesmo que fossem iguais, por eu ter uma personalidade única, eu faço o desfecho que eu der conta.
Confesso que parei de me sentir mal por não ter um blog bombado ou não ter escrito um livro (talvez por não ter assunto ou habilidade), por não ter as artimanhas para cozinhar – desculpe pelo arroz e panela torrados, marido – ou por dirigir bizarramente quando me sinto avaliada com alguém ao lado. Me esforço ao máximo, Brasil, se não deu paciência. Nova filosofia de vida.
A única crise contudo que eu ainda não consigo elaborar é a do passar do tempo e com isso as perdas de pessoas amadas… mas essa crise apenas com muita terapia ou um pouco de endurecimento da alma… Mas quem sabe um dia.

Uma nota sobre a epidemia da gratidão.

Tenho notado em minhas redes sociais inúmeras pessoas postando em suas fotos a legenda “Gratidão”, as vezes o termo gratidão é seguido por um complemento, as vezes apenas o substantivo é destacado. Mas o ponto é que passei a me perguntar quando é que as pessoas se tornaram tão agradecidas desta forma?
Segundo o dicionário Gratidão é: substantivo feminino. 1. qualidade de quem é grato. 2. reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um benefício, um auxílio, um favor etc.; agradecimento.
Então, será que todas estas pessoas estariam REALMENTE gratas a tudo que afirmam estar – desde um por do sol, até uma pizza na sexta a noite – ou seria mais um modismo como os tantos outros termos que usamos em nossas hashtags e legendas?
Lendo uma reportagem, me interessou a visão da psicanalista Monica Donetto Guedes que refere crer que o termo “gratidão” e suas variações passou a ser usado para contrabalancear à culpa pela exposição excessiva como uma forma de exposição menos arrogante.
Confesso que essa foi a teoria que mais fez sentido quando observo a epidemia que o termo se tornou, especialmente quando observamos algum padrão comportamental prévio daqueles que geralmente postam, identificando sinais, em seu repertório, de uma exposição de imagens e atos do dia a dia sempre muito bem marcada.
É claro que não dá para generalizar, eu realmente creio que muitos estão verdadeiramente gratos pelo existir – e por seus detalhes – muitas vezes esquecido em nossa correria visando a sobrevivência, mas acredito que como Carolina Bergier, falou na mesma reportagem, muitos apenas reproduzem a palavra sem de fato senti-la em suas vidas. ou seja,
Ao meu ver, muitos além de abafar a própria exposição de modo até inconsciente – não necessariamente no sentido psicanalista mas no sentido de baixa reflexão sobre – também reproduzem a “gratidão” como forma de identificação com o grupo social, suprindo o desejo de igualar-se coletivamente.
Então, antes de sairmos reproduzindo modismos bonitos dos famosos e/ou espiritualistas, vale a pena refletirmos se aquilo realmente se encaixa em nossas vidas e aceitar o fato de que  mesmo que não faça parte, não há problema nenhum pois dessa forma estaremos existindo de forma sincera e completa. Sendo ou não grato, expressando ou não seus sentimentos, viva o que realmente faz sentido a você e expresse o que lhe faz bem, sem a necessidade única de sentir-se incluído ou mostrar-se bem e realizado em todos os momentos de sua vida.
Agora, sobre felicidade, realização e exposição… bem… a gente conversa em outro post.

Namastê ~Gratidão ~ Beijos de Luz.